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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O difícil que é



O que passa na cabeça de uma pessoa,
para que numa bela tarde de Janeiro, um dia diferentes dos anteriores porque nesse dia o sol brilhava no céu, terminado um almoço com um filho, um almoço normal igual ao dos outros dias, desista de viver e termine com a sua vida?



o que poderá passar pela cabeça de uma pessoa
que tem filhos que adora,
que tem um namorado com quem se dá bem,
que tem um ex por quem ainda nutre amor,
que tem uma família que ama e que a ama
que tem uma profissão que gosta
que tem um negócio ao qual se entrega de corpo e alma
que tem a calma e confiança dada pela meia idade
que tem saúde para viver pelo menos mais 40 anos
que tem solidez financeira

o que poderá passar pela cabeça de uma pessoa nesta situação,
uma pessoa que monta uma corda no tecto e se enforca?

e...
como é que nós amigos não nos apercebemos que se passava qualquer coisa de errado?
como é que nós amigos não conseguimos prever que o que ia acontecer?
como é que nós amigos, que convivemos com esta pessoa assiduamente, não nos apercebemos que havia um desequilíbrio emocional perigoso?
como é que nós amigos não lhe telefonámos nesse dia e àquela hora?

não é fácil aceitar que o nosso amigo possa ter desistido da vida
não é fácil aceitar que o nosso amigo não tenha falado connosco antes
não é fácil aceitar que o nosso amigo não nos tenha tenha confiado o seu desespero
não é fácil aceitar que o nosso amigo não nos tenha telefonado a pedir ajuda
não é fácil aceitar que não pudéssemos fazer alguma coisa para evitar este horror
não é nada fácil perder um amigo assim!!

e...
o difícil que é para um filho acreditar que não podia ter feito nada
o difícil que é para uma filho aceitar que não poderia ter lido nas entrelinhas
o difícil que é para um filho aceitar que foi uma decisão tomada sem reflectir
o difícil que é para um filho aceitar que foi uma decisão tomada em 2 minutos
o difícil que é para um filho não ver este acto com uma forma de puro egoísmo
o difícil que é para um filho pensar, ao longo da vida, que nunca de despediu
o difícil que é para um filho quando se lembra do ultimo beijo
o difícil que é para um filho aceitar que não foi suficientemente importante
o difícil que é para um filho saber que não vai ouvir mais, amo-te meu filho
o difícil que é para um filho viver com estes sentimentos
o difícil que é para um filho viver sem o pai
o difícil que é para um filho aceitar este suicídio
o difícil que é para um filho continuar a viver
em harmonia consigo,
o difícil que é!!

domingo, 14 de junho de 2009

olá amiga


sábado senti-me tão pequenina, tão vazia, tão sem jeito que fiquei em casa e fui ficando, olhando a chuva e chorando para dentro, com ela.  enrosquei-me no meu casulo, e senti-me a pessoa mais só deste mundo, a pessoa mais desamparada, a mais perdida...
tinha começado a preparar o jantar quando recebi um telefonema do Uruguay, a Marta mãe do Adolfo queria saber de mim!

foi muito bom falar com ela, saber da família e recordar mas, foi terrível dizer adeus... dizer-lhes até um dia, aceitar que as minhas idas ao Uruguay vão acabar por terminar em pequenas viagens de quinze dias, de ano a ano, por agora porque, mais tarde tornar-se-ão de certeza mais espaçadas, iremos perdendo aos poucos a ligação forte que nos une, que nos uniu! ficará, estou certa, um sentimento especial no coração, cujo único elo de ligação será o nosso amor pelo Adolfo.

é tão estranho... depois de tantas viagens para o "cone sur", de sentir este país também como meu, de ter aceite esta família como minha, de os ter no meu dia-a-dia... é tão estranho ficarmos tão distantes, deixar de saber o que se passa com eles, desconhecer os seus planos, os seus sonhos, as suas alegrias e tristezas...

é tão estranho lembrar-me que até há pouco tempo o Adolfo me descrevia o seu dia-a-dia com tanta sensibilidade e ternura, me falava da sua relação com a mãe super protectora e cheia de amor para dar, me contava do apoio e ligação forte com os irmãos, com os amigos, do amor que tinha pelos filhos que amava de uma maneira tão especial...

e tudo isto lhe foi tirado, me foi tirado, por uma horrível doença incurável uma doença que quando o conheci há cinco anos, já singrava, escondida, calada!! que ódio, que angústia, que impotência por não conseguir alterar o destino!

depois do telefonema do Uruguay chorei, chorei muito, deixando sair esta tristeza que trago no meu coração, precisava de desabafar, precisava de mimos e liguei-te a ti, madrinha do nosso "casamento", mas não estavas, não atendeste... não consegui falar sobre a minha dor, o meu desgosto, era contigo que precisava conversar, tu que também o conhecias tão bem...

saí, noite fora, sob a chuva miudinha que me arrefecia os ossos. andei, mais de duas horas pelas ruas desertas, por esta vila fantasma.   não me lembro por onde andei, o chão e as poças de água não tinham fim, o cheiro da terra molhada fazia-me recordar punta ballena, os pingos gordos da chuva que caiam das árvores martelavam-me o pensamento, a noite estava tão só, tão triste.  dei finalmente comigo a dirigir-me para casa, já era tarde, queria entrar mas não conseguia.

sentei-me no banco frio e molhado junto à piscina e ali fiquei a olhar o céu e as nuvens pesadas que escondiam a lua em fase crescente, essa lua que teimava em me iluminar com a sua luz morna, mas que ao contrário de outras noites, me arrefecia a alma.

fiquei, chorei o meu desgosto, o meu karma, sentia-me tão vazia, pronta para para me deixar ir, desaparecer para sempre, sem alento para continuar mas, os rostos sorridentes e alegres das minhas filhas surgiram tão reais, olhavam para mim tão cheias de ternura que o meu pranto abrandou e finalmente alguma calma se apoderou de mim.
entrei em casa, beijei-as ao de leve e deitei-me. estava gelada, a mente vazia, oca.

dormi mal e acordei cedo. olhei a minha cara no espelho e não me reconheci, dois círculos castanhos inchados com linhas negras ao seu redor tornavam os meus olhos pequenos e vagos, dois pontos escuros sem vida.

almocei com as minhas filhas num restaurante na praia mas a conversa estava difícil, não tinha nada dentro de mim, só um mal estar horrível.  no final da refeição duas delas partiram, uma acompanhou-me.   sentou-se comigo em casa, calada, talvez porque não soubesse o que me dizer, talvez porque não me quisesse incomodar, talvez porque estivesse a defender-se.
.
só agora vi o teu email, tocou-me muito a tua solidão, mas amiga hoje não consigo dar nada de mim, estou vazia, sem alento, sem amor. desculpa

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

solo 1460 dias...


tanta coisa se passou nestes dois ultimos meses... a minha vida parou, o meu amor, a minha paixão, o meu mais que tudo, o único homem que me amou incondicionalmente, o Adolfo partiu de entre nós, dia 6 de Outubro

y ahora?
no sé que hacer...
que hago aca?

como jorge una vez cantó
hace algún tiempo
que me fui a tus playas por el dia,
y ahí me quedé, cuatro años

ahí,
a la sombra de tu luna Ado
se acunó mi corazon
se borraron mis arrugas,
mí "casa" se iluminó

pero hoy...

hoy
no hay rincón en esta casa
que no te haga recordar
cada grano de memoria,
mí casa es un arenal

hoy
se paró el reloj de arena
solo 1460 dias!!