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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Michael Biberstein

Pequenos excertos de uma conversa entre Michael Biberstein, Fernando Calhau e Delfim Sardo: Paint in Black, 1995


"MB: Eu tenho algumas esperanças em relação à minha pintura, que as pessoas parem durante, digamos, dois minutos. A maior parte das pessoas quando olha para a arte é como se fizesse zapping com o comando da televisão. Se eu conseguir que uma pessoa pare diante de uma pintura minha por um... ou dois... minutos... tirá-la desta pressa... já ficaria diferente."



"MB: ... a questão não é captar a atenção do espectador, é fazê-lo parar, torná-lo mais lento. Eu gostava que as minhas pinturas arrefecessem as pessoas por um segundo. Isso seria um bom efeito lateral da minha pintura. Penso que este é um dos papéis da arte em geral, talvez ainda mais que da música. Um dos seus principais papéis sociológicos: dar um momento de descontracção à mente, ao cérebro. Esse é o papel da arte hoje, para substituir alguma coisa que se perdeu no nosso discurso lógico."






Do meu lado podes ficar contente Mike porque eu, não só paro em frente das tuas pinturas como como entro dentro delas e me deixo ir. A tua pintura transmite-me uma sensação de imensidão, serenidade e paz de espírito, viajo nelas e revejo-me, nas tuas paisagem e atmosferas, na tua sensibilidade plástica. Admiro-te imensamente por quem foste, pela tua amizade, o teu saber, abertura de espírito, raciocínio, simplicidade e intensidade de valores. Thanks por me teres ensinado a olhar e a questionar! 



clique abaixo para aceder ao conteúdo completo da conversa

Conteúdo da conversa

sábado, 8 de dezembro de 2012

Loneliness is hard to deal

Alone through this endless road
no light to guide my way

Future doesn't smile at me
as it did before...

I did not give up hope,
but solitude is difficul to deal
especially when one had a Life!

A life full of love, joy, and interesting people

It is hard to accept that my love is no longer here
to accompany me

Fortunately my few and genuine friends
keep me company
although age and physical distance
make coexistance increasingly rare


Will I manage to track alone  this path
and keep up my sanity?

domingo, 14 de junho de 2009

olá amiga


sábado senti-me tão pequenina, tão vazia, tão sem jeito que fiquei em casa e fui ficando, olhando a chuva e chorando para dentro, com ela.  enrosquei-me no meu casulo, e senti-me a pessoa mais só deste mundo, a pessoa mais desamparada, a mais perdida...
tinha começado a preparar o jantar quando recebi um telefonema do Uruguay, a Marta mãe do Adolfo queria saber de mim!

foi muito bom falar com ela, saber da família e recordar mas, foi terrível dizer adeus... dizer-lhes até um dia, aceitar que as minhas idas ao Uruguay vão acabar por terminar em pequenas viagens de quinze dias, de ano a ano, por agora porque, mais tarde tornar-se-ão de certeza mais espaçadas, iremos perdendo aos poucos a ligação forte que nos une, que nos uniu! ficará, estou certa, um sentimento especial no coração, cujo único elo de ligação será o nosso amor pelo Adolfo.

é tão estranho... depois de tantas viagens para o "cone sur", de sentir este país também como meu, de ter aceite esta família como minha, de os ter no meu dia-a-dia... é tão estranho ficarmos tão distantes, deixar de saber o que se passa com eles, desconhecer os seus planos, os seus sonhos, as suas alegrias e tristezas...

é tão estranho lembrar-me que até há pouco tempo o Adolfo me descrevia o seu dia-a-dia com tanta sensibilidade e ternura, me falava da sua relação com a mãe super protectora e cheia de amor para dar, me contava do apoio e ligação forte com os irmãos, com os amigos, do amor que tinha pelos filhos que amava de uma maneira tão especial...

e tudo isto lhe foi tirado, me foi tirado, por uma horrível doença incurável uma doença que quando o conheci há cinco anos, já singrava, escondida, calada!! que ódio, que angústia, que impotência por não conseguir alterar o destino!

depois do telefonema do Uruguay chorei, chorei muito, deixando sair esta tristeza que trago no meu coração, precisava de desabafar, precisava de mimos e liguei-te a ti, madrinha do nosso "casamento", mas não estavas, não atendeste... não consegui falar sobre a minha dor, o meu desgosto, era contigo que precisava conversar, tu que também o conhecias tão bem...

saí, noite fora, sob a chuva miudinha que me arrefecia os ossos. andei, mais de duas horas pelas ruas desertas, por esta vila fantasma.   não me lembro por onde andei, o chão e as poças de água não tinham fim, o cheiro da terra molhada fazia-me recordar punta ballena, os pingos gordos da chuva que caiam das árvores martelavam-me o pensamento, a noite estava tão só, tão triste.  dei finalmente comigo a dirigir-me para casa, já era tarde, queria entrar mas não conseguia.

sentei-me no banco frio e molhado junto à piscina e ali fiquei a olhar o céu e as nuvens pesadas que escondiam a lua em fase crescente, essa lua que teimava em me iluminar com a sua luz morna, mas que ao contrário de outras noites, me arrefecia a alma.

fiquei, chorei o meu desgosto, o meu karma, sentia-me tão vazia, pronta para para me deixar ir, desaparecer para sempre, sem alento para continuar mas, os rostos sorridentes e alegres das minhas filhas surgiram tão reais, olhavam para mim tão cheias de ternura que o meu pranto abrandou e finalmente alguma calma se apoderou de mim.
entrei em casa, beijei-as ao de leve e deitei-me. estava gelada, a mente vazia, oca.

dormi mal e acordei cedo. olhei a minha cara no espelho e não me reconheci, dois círculos castanhos inchados com linhas negras ao seu redor tornavam os meus olhos pequenos e vagos, dois pontos escuros sem vida.

almocei com as minhas filhas num restaurante na praia mas a conversa estava difícil, não tinha nada dentro de mim, só um mal estar horrível.  no final da refeição duas delas partiram, uma acompanhou-me.   sentou-se comigo em casa, calada, talvez porque não soubesse o que me dizer, talvez porque não me quisesse incomodar, talvez porque estivesse a defender-se.
.
só agora vi o teu email, tocou-me muito a tua solidão, mas amiga hoje não consigo dar nada de mim, estou vazia, sem alento, sem amor. desculpa

domingo, 23 de setembro de 2007

Parabéns minha filha


ontem adormeci atrasada, tentando acomodar trastes, vestes, prendas e adornos numa mala de tamanho superior ao necessário, numa tentativa de agradar a dois amores da minha vida - duas das minha filhas.

o meu sono foi curto e ao despertar, a lembrança de pela primeira estar afastada do aniversário da minha filha que está a viver num país tão longe de mim, trouxe-me uma terrível impressão no estômago.

invejei a que ia partir, juntar-se a ela, uma inveja sem maldade, só porque adoraria poder acompanhá-la a Oslo, e juntar-me aos festejos do seu nascimento.  mas não fui, nem seria a mesma coisa para elas se eu fosse, iria interromper este encontro de "irmãs e amigas".


acredito que estas “miúdas” irão fazer sucesso entre esta população nórdica craving for latinos de pele morena, olhos castanhos e cabelos encaracolados.  sei que, de tudo o que vão viver, elas recordarão: festa e liberdade!! irão ter experiências variadas, aventuras desenfreadas... conhecendo-as, sei que irão visitar todos os museus que as suas pernas permitirem, numa ânsia de cultura. vão emocionar-se e gargalhar de tudo o que for novidade, vão interprelar quem lhes der na gana e marcar na memória edifícios, ruas e pessoas e, no final do dia, irão relaxar e celebrar os vinte e três anos da aniversariante.

o teu dia primeiro aniversário longe de mim Becas, vou passá-lo descontraída e contente, sabendo que estarás bem e a fazer tudo o que puderes para seres feliz.
Parabens minha filha!!