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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Paixão

Hoje dei comigo a pensar se já terei esgotado as paixões da minha vida. Haverá um numero certo de paixões a que temos direito? A quantas terei direito? 


A paixão é uma das melhores coisas na vida mas ao mesmo tempo a paixão também pode ser um sentimento muito doloroso quando o objecto da nossa paixão não está na mesma onda que nós! Não foi sem mais nem menos que dei comigo a pensar na paixão, isto aconteceu depois de ter assistido ao filme "benvenuti al sud", uma comédia light num lugar no Sul de Itália, como o título do filme sugere. Não que o filme fosse muito bom ou tivesse muitas cenas de amor, nada disso, só que no final do filme comecei a imaginar o bom que é sentir aquela sensação óptima que dá na boca do estômago, quando encontramos uma pessoa que nos cativa e cujo olhar cruzámos. Uma única troca de olhares é suficiente para nos pôr a cabeça a rodopiar e a sonhar fazendo o sangue correr nas veias com uma incrível rapidez para depois nos deixar cair extasiados de paixão! É a melhor coisa da vida, uma paixão que de repente se assoma na nossa vida que nos faz sorrir com aquele desabrochar de todos os sentidos e que nos deixa a face inteira a sorrir, sabe tão bem! E depois é tão bom saber e sentir que estamos a sorrir sem mais nem menos, unicamente porque sim, porque estamos felizes e queremos mostrar a alegria que nos vem de dentro, que nos sai do peito. Esta alegria é tão boa que só de lembrar me torna feliz, é uma alegria que nos trás uma vontade louca de entrega de corpo e alma a esse ser que nos é tão especial, sem pensar em mais nada do que fazê-lo feliz!

É lindo olhar alguém e sentir que entre ambos somos uma só pessoa, sentir que ao olhar o sol, o mar e o que nos rodeia, não vejo tudo isto só pelos meus olhos, são os nossos olhos que vêem da mesma forma e que sentem a mesma emoção. São visões que não necessitam de palavras são toques de mãos que transmitem electricidade, mãos e corpos que se agarram sem se conseguir apartar, beijos que se replicam sem fim, uma afinidade total e completa como se fossemos os únicos no planeta, como se não houvesse mundo à nossa volta só uma bolha de ar pairando sobre uma paisagem deslumbrante, um mundo onde a natureza e as cores nos enchem de ternura, amor e erotismo deixando de lado as merdinhas do dia-a-dia!

Apaixonei-me três vezes na minha vida, cada uma delas linda, em seu tempo, repletas de recordações e memórias indeléveis. Todas elas voltaria a ter. Mas não estou satisfeita, sinto que à medida que crescemos em idade as paixões tornaram-se cada vez mais fortes mais intensas porque a confiança naquilo que fomos e naquilo que somos transmite-nos uma calma, um conhecimento da vida e do amor que nos deixa uma vontade de entrega sem medos e sem receios e, esta forma de nos darmos sem pedir nada em troca mas dando tudo o que temos, esta entrega completa, é a única forma de viver uma paixão!

Tenho tantas saudades deste sentimento, destas vivências tão intensas, que dão tanto sentido à vida, que, quando vejo uma comédia light onde o amor toma um papel importante no desenrolar da história quero eu própria fazer parte desse filme, ser um dos protagonistas dessa peça e deixar-me ir, fluir e viver mais uma paixão na minha vida!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

que afinadade com este poema do José Régio


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

por José Régio




my humble translations to English

"Come this way" - some say to me with sweet eyes
Extending to me their arms, and secure
That it would be good I hear them
When they say, "come this way!"
I look at them with weary eyes,
(in my eyes there is, irony and tiredness)
And I cross my arms,
And never go their way ....

My glory is this:
Create inhumanity!
Do not follow anyone.
- That I live with the same ease
As which I tore my mother's womb

No, I do not go that way! I only go where
my own steps take me ...

If none of you responds to what I seek to know
Why do you repeat to me: "Come this way!"?

I prefer slip off in muddy alleys,
Swirl into the winds,
Like a wreck, drag my bloody feet ,
Than to go that way...

If I came into the world, it was
Just to deflower virgin forests,
And draw my own feet in the unexplored sand !
The most I do, is worth nothing.

How, would ye be
That should ye give impulses, tools and courage
to my obstacles? ...
It runs in your veins, old blood of grandparents,
And you love what is easy!
I love the Far and the Mirage,
I love the abysses, torrents, deserts ...

Go ye! You have roads,
You have gardens, you have flower beds,
You have homeland, you have roofs,
And you have rules, and treaties, and philosophers, and wise men ...
I got my Madness!
I raise it as a torch, burning in the dark night,
And I feel foam, and blood, and songs on the lips ...

God and the devil are my guides, no one else.
All had father all had mothers;
But I, who never begins or ends,
I was born of the love that exists between God and the Devil.

Oh, that no one gives me pious intentions!
Nobody ask me definitions!
Nobody tell me: "Come this way!"
My life is a storm that broke loose.
It is a wave that raised.
It is one atom more that is excited ...
Not sure where to go,
Not sure whither to go
- I know, that I won't go your way!

domingo, 23 de janeiro de 2011

eu???!!!!


"Eu nunca fui uma moça bem-comportada.
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido, sem soluços.
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta!
Adoro a poesia e gosto de descascá-la até à fractura exposta da palavra.
A palavra é meu inferno e minha paz.
Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta.
Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo.
Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas.
Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou com qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar…
Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida a gente.
Acredito em coisas sinceramente compartilhadas.
Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo.
Eu acredito em profundidades.
E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos.
São eles que me dão a dimensão do que sou."

M. de Queiroz

sábado, 2 de outubro de 2010

Foi há tão pouco tempo...


foi há tão pouco tempo...
que te olhei pela primeira vez

éramos os dois sozinhos
depois de amores desavindos,
vidas de paixão...
alegrias
filhos!!

não procurava nada.

afinal estava de férias
por duas semanas apenas,
no time for romance!

uma amiga comum
imaginara a possibilidade
de uma empatia entre os dois.
expectativa dela
não a minha!

o final de uma longa viagem
tinha-me levado ao Cono Sur.
uma casa na praia
e um grupo heterogéneo
esperava a minha chegada

fomos apresentados
e não te dei importância.
escondida dentro de mim
sorria a todos
tentando encaixar-me neste lugar,
neste ambiente

a noite foi longa
horas trocadas
jet leg
e finalmente adormeci

no dia seguinte lá estavas,
lembro-me como se tivesse sido hoje.
com ternura na voz e palavras cálidas
convidaste-me, vamos? a la puesta del sol?...
e terminaste
só vão estar amigos, no chiringuito da praia.

não queria ir,
assustava-me entrar no meio de gente que não conhecia
que falavam uma língua que não dominava...

imaginei logo a limitação da conversa!!

porém, acedi.
entrei no teu carro,
que era diferente de todos os que tinha entrado
sem vidros nas janelas
sem estofos nos bancos
um carro com temperamento

levaste-me a uma praia linda
onde um mar de amigos
me olhava com ar inquisidor

examinaram-me,
demorada e minuciosamente.
pediram-te que me apresentasses
e, sem dar muita confiança
disseste:
- é a portuguesa,
amiga da Diná, acabada de chegar

a tua postura era serena, tranquila,
afinal este era o teu mundo
e estavas interessado em demonstrá-lo

o chiringuito,
todo de madeira
era lindo e acolhedor,
serviam caipirinhas
e o cheiro a pizza feita em forno de lenha
pairava no ar

um jogo de voleibol de praia
entre amigos ia começar
convidaste-me a participar
mas timidamente recusei

estava um dia lindo e
aguardávamos o pôr-do-sol

senti-me bem no teu ambiente,
lembro-me de ter, pela primeira vez,
reparado nas tuas mãos.
eram lindas, pensei
dedos magros mas fortes,
falavas com os teus olhos azuis
e as palavras saíam-te sensuais.
foste falando, sobre o teu lindo país,
numa voz era calma, atenciosa
e os teus relatos apaixonados
brotavam do azul transparente dos teus olhos
e amoleciam as minhas defesas.

tinha-te avisado que precisava de regressar cedo,
com receio que não tivéssemos conversa,
afinal, só tínhamos dois dias de vida!

mas o ambiente afectuoso que criaste,
a linda e amena tarde,
o mar apetecível, de águas mornas,
foram-me convidando a ficar

dezenas de crianças brincavam na areia
vários amigos de pele bronzeada
conversavam animadamente
e entre risadas todos esperavam
a descida do astro no horizonte

pediste-me para ficar

e fui ficando, ouvindo a música da tua voz
que me embalava,
que entrava em mim e me sossegava

um aplauso dos clientes do chiringo
acordaram-me deste encanto
era altura de festejar
o término de mais um dia
um dia a mais nas nossas vidas
mas este, não o sabia ainda,
era um dia diferente dos outros,

os teus olhos
as tuas mãos
o teu corpo
as tuas descrições
tinham mexido comigo.
sentia-me em casa
tranquila e feliz
e conseguia sentir os meus olhos a sorrir.

este tinha sido
o primeiro
dos 1321 dias de felicidade
contigo
neste meu novo continente

domingo, 22 de agosto de 2010

El secreto de sus ojos



"El secreto de sus ojos", baseado na obra de Eduardo Sacheri conta a história de Benjamín Espósito, funcionário público acabado de se aposentar que resolve escrever um livro sobre um crime que investigou 25 anos atrás.

Este é um filme policial influenciado pelo noir americano dos anos 40. Aqui não há heróis nem ninguém é totalmente vilão. Não há tangos, nem praças primeiro de Maio nem políticos desaparecidos. As personagens vão em busca dos seus sonhos e aspirações, numa história cheia de paixões sufocadas pelo tempo mas onde também o humor requintado serve de escape à intensidade do tema.

Realizado por Juan José Campanella, que dirigiu também "El hijo de la novia" e "El mismo amor la misma lluvia" tem como protagonistas duas das caras que adoro, as mais populares e mais respeitadas do cinema argentino, Ricardo Darin e Soledad Villamil.
Este filme foi galardoado com o Oscar da Academia de Hollywood como o melhor filme estrangeiros de 2009! Vale mesmo a pena!!!!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

solo 1460 dias...


tanta coisa se passou nestes dois ultimos meses... a minha vida parou, o meu amor, a minha paixão, o meu mais que tudo, o único homem que me amou incondicionalmente, o Adolfo partiu de entre nós, dia 6 de Outubro

y ahora?
no sé que hacer...
que hago aca?

como jorge una vez cantó
hace algún tiempo
que me fui a tus playas por el dia,
y ahí me quedé, cuatro años

ahí,
a la sombra de tu luna Ado
se acunó mi corazon
se borraron mis arrugas,
mí "casa" se iluminó

pero hoy...

hoy
no hay rincón en esta casa
que no te haga recordar
cada grano de memoria,
mí casa es un arenal

hoy
se paró el reloj de arena
solo 1460 dias!!