domingo, 2 de março de 2008

Sozinha




Sozinha é palavra rude, agreste
sozinhos somos todos
abandonados
numa dor infinda
na procura de um carinho
de um apoio, uma amizade
de um vida melhor
que não passou mas que está para vir!
sim, acredito
e sempre acreditei
mas temos que nos entregar
não deixar o orgulho
a teimosia
sobreporem-se
há que se esforçar
que não se conformar
querer mais que um pouco
não se contentar com metades
há que querer o Todo!
o inteiro, o que enche a alma
nos alegra e nos dá paz
nos trás amor e confiança
e... assim me dedico minha querida
abrindo os braços
para te abraçar
e não estares só

à minha filha Francisca
2 Março de 2008

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

António Lobo Antunes à Visão

Numa entrevista de Sara Belo Luís esta semana na Visão António Lobo Antunes apresenta-se pela primeira vez diante de nós “nu e desfigurado”, retirando a sua capa de altivez e arrogância que eu sempre achei que utilizava para desmascarar alguma timidez e aversão social. Sem pieguices, descreve-nos o que passou desde que lhe foi diagnosticado um cancro, o seu novo livro chamado “O meu nome é legião” e a sua relação com a escrita e a sua transformação pessoal com a proximidade da morte. Com expressões que nos habituámos a ler ao longo de muitos anos deixa transparecer amor, desamparo, dignidade e honra de estar vivo.

Tambem eu passei por uma vivência semelhante. E quero deixar aqui expressa a minha admiração por este homem só, com uma incrível capacidade de nos transportar para os recônditos do nosso ser.

Este ano foi muito bom para mim – aprendi a admirar as pessoas do meu País e a respeitá-las ainda mais. E a amá-las ainda mais. E a gostar cada vez mais delas. A partir daí, tudo o resto se tornou relativo. Houve coisas que deixaram de ser importantes e normalmente é quando deixam de ser importantes que vêm ter connosco...

As noites no hospital são infinitas. Sofri muito e, ao mesmo tempo, toda esta experiência também me enriqueceu. Sai-se disto com mais amor pela vida e com a sensação de que é um honra estar-se vivo.

É claro que tomei consciência da minha finitude, porque todos vivemos em função de eternidades.

“O meu nome é legião” é um livro de amor. De amor por uma geração , por uma classe social sozinha e abandonada, por um grupo de pessoas desesperadamente à procura de uma razão de existir. (...) Não sei se os leitores entenderão que o livro está a transbordar de amor. Sempre me comoveu ver o desamparo em que as pessoas vivem. Acho que esta dimensão nunca foi notada nos meus livros. Vivemos num certo desamparo, numa certa desprotecção.

Quando a mão está feliz os livros parecem-me sempre ditados.

Já não minto. Já não componho o perfil. Porque a nudez desfigura sempre. Agora, jogo com as cartas abertas. Agora, jogo póquer com as cartas viradas para cima. Agora, já não há nada escondido, está tudo à vista. E ou a mão ganha ou perde.

Estive muito perto da morte e palavra de honra que é mais fácil do que se imagina. A idéia pode angustiar-nos e apavorar-nos, mas quando se está mesmo ao pé dela é muito mais fácil do que se pensa. (...) quando muito francamente me dizem que tenho um cancro, o que vejo à minha frente é a morte. Não é ver a morte à minha frente, é vê-la dentro de mim. Já está cá, é uma parte de nós. Não requer coragem, apenas dignidade e elegância.

Eu agora tenho a morte dentro de mim. E é horrível estar grávido da morte.

A doença no meu caso fez com que se acabassem os disfarces, as máscaras, as meias-frases e as meias-intas. Agora digo o que penso e o que sinto.

Não tenho falsa nem verdadeira modéstia. Sou orgulhoso, não sou vaidoso. Para quê estar a jogar consigo (entrevistadora)? O que é que eu ganho? Acho graça à maneira como, nas entrevistas, as pessoas se tentam compor, se penteiam para arranjar o cabelo, ajeitam a gravata, retocam a maquilhagem. Para quê? Para seduzir? Para tentar que gostem delas? Para fazer boa figura perante os leitores? Tudo isso já me é completamente indiferente. É uma conquista recente, ganha com tudo aquilo por que passei. Estar aqui à sua frente é a única maneira de estar. E é a primeira vez que o faço.

Quando estou a escrever um livro a minha vida muda por completo, encontro uma razão, um motivo e uma direcção

Não sei o que se passou mas tive problemas técnicos neste fim de semana com o meu espaço, contou-me um amigo. Peço desculpa aos raros passeantes por este blog, parece-me que agora está tudo bem.

domingo, 23 de setembro de 2007

Parabéns minha filha


ontem adormeci atrasada, tentando acomodar trastes, vestes, prendas e adornos numa mala de tamanho superior ao necessário, numa tentativa de agradar a dois amores da minha vida - duas das minha filhas.

o meu sono foi curto e ao despertar, a lembrança de pela primeira estar afastada do aniversário da minha filha que está a viver num país tão longe de mim, trouxe-me uma terrível impressão no estômago.

invejei a que ia partir, juntar-se a ela, uma inveja sem maldade, só porque adoraria poder acompanhá-la a Oslo, e juntar-me aos festejos do seu nascimento.  mas não fui, nem seria a mesma coisa para elas se eu fosse, iria interromper este encontro de "irmãs e amigas".


acredito que estas “miúdas” irão fazer sucesso entre esta população nórdica craving for latinos de pele morena, olhos castanhos e cabelos encaracolados.  sei que, de tudo o que vão viver, elas recordarão: festa e liberdade!! irão ter experiências variadas, aventuras desenfreadas... conhecendo-as, sei que irão visitar todos os museus que as suas pernas permitirem, numa ânsia de cultura. vão emocionar-se e gargalhar de tudo o que for novidade, vão interprelar quem lhes der na gana e marcar na memória edifícios, ruas e pessoas e, no final do dia, irão relaxar e celebrar os vinte e três anos da aniversariante.

o teu dia primeiro aniversário longe de mim Becas, vou passá-lo descontraída e contente, sabendo que estarás bem e a fazer tudo o que puderes para seres feliz.
Parabens minha filha!!

Cry me a river



Julie London (26Setembro1926 - 18Outubro2000) artista Americana que ficou conhecida pela sua voz rouca e sensual. "Cry me a River" uma das suas músicas mais famosas foi apresentada em 1956 no filme "The Girl Can't Help It" e tornou-se a million-selling single depois do seu lançamento em Abril de 1957.